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Coluna Vou Falar - por Aaron Fenix

A demagogia e a irresponsabilidade nas estradas brasileiras

Coluna Vou Falar!

A demagogia e irresponsabilidade nas estradas brasileiras

 

Entre 50 e 60 mil brasileiros perdem a vida todos os anos em acidentes de trânsito nas ruas e estradas nacionais, que, além disso, deixam permanentemente inválidas outras 630 mil O número é apavorante e o grande culpado é o governo, em seus três níveis. O brasileiro dirige mal, não respeita as regras de trânsito, faz tudo que não pode. Ele é culpado, sim. Mas, mais culpado que ele é o governo, em seus três níveis, que, diretamente, não cuida da malha de estradas ruas e, permite a corrupção nos órgãos encarregados de habilitar os motoristas, constrói mal, planeja pior ainda.

É impressionante a demagogia que permeia o assunto. A quantidade de declarações, de projetos de leis, de promessas de medidas destinadas a melhorar as condições de segurança de nossas ruas e estradas faz do Governo, em seus três níveis, o maior mentiroso do país. Uma olhada rápida nas nossas estradas e ruas é suficiente para mostrar que entre o discurso e a realidade há um espaço enorme, que as autoridades tentam deixar para lá, mas que é o verdadeiro responsável pelo quadro dramático de nossas estradas.

Começando pelas rodovias que cortam o Brasil, quantas, tirando a maioria das rodovias paulistas e algumas privatizadas em outros estados, têm condições mínimas de segurança? Quantas têm pistas sem buracos, crateras, erosões, costelas ou ondulações? Quantas têm um mínimo de placas de sinalização informando o que vem pela frente? Quantas têm faixas separando as pistas? Quantas têm passarelas de pedestres, pontes e viadutos em locais de trânsito intenso ou cruzamentos movimentados?

Nas cidades, a situação não é diferente. Uma rápida volta por qualquer parte de Lafaiete é suficiente para mostrar o lastimável estado de conservação, não apenas de ruas secundárias, mas das principais vias e avenidas que cortam a cidade. Buracos, crateras, erosões, costelas, falta de faixas separando as pistas, faixas de pedestres colocadas em locais impróprios, pontos de ônibus e taxis instalados em locais inadequados, semáforos apagados, remendos mal feitos, curvas com inclinação ao contrário ou com ângulo equivocado, etc., dão uma vaga noção do tamanho da barbárie e equiparam a administração da cidade ao que existe de pior entre os responsáveis pelas mazelas do trânsito nacional. Aqui também os poderes pouco agem, a não ser na organização de audiências públicas, quase sempre vazias e sem os verdadeiros alvos das reclamações que estão se lixando para a cidade.

É verdade, o motorista brasileiro ajuda muito na hora de piorar o que já está ruim. Boa parte não tem qualquer prática de dirigir em estradas, mas não faz a menor cerimônia em entrar no carro e tocar para o litoral, a montanha ou visitar parentes, nos meses de férias. Outros enchem a cara como se estivessem numa orgia pagã e depois entram em seus carros e saem feito loucos, passando em cima de quem estiver na frente.

E um olhar mais atento sobre a estatística mostra que o número assustador de vítimas é produzido, na maior parte das vezes, pelas batidas de frente, pela imprudência. Num rápido olhar sobre as estatísticas vejo que 30,8% dos acidentes dentro de nossas rodovias são atribuídos a falta de atenção dos motoristas. Fato que mostra que, ainda que as condições das vias brasileiras não sejam boas, os condutores têm grande responsabilidade sobre os acidentes. O dirigir está associado a escolhas. Você escolhe falar ao celular e dirigir. Você escolhe andar em alta velocidade. Você escolhe beber e dirigir. Você escolhe não usar o cinto Finalmente, outros dirigem veículos sem a menor condição de segurança, sem saber se conseguirão frear se acontecer um imprevisto à sua frente. Mais uma vez, é a ausência de seriedade das autoridades que é a grande responsável.

Os motoristas são mal preparados porque tirar carteira de habilitação no Brasil é uma brincadeira que não exige que o interessado tenha a menor noção de dirigir. Os acidentes causados pelos bêbados acontecem porque a chance de alguém ser condenado é mínima. E os carros sem condições trafegam porque não há polícia para retirá-los das ruas.

Falando especificamente da BR 40 que corta o nosso município, com a privatização e a cobrança de pedágio todos achavam que as obras de duplicação sairiam de forma mais rápida e o que se viu foi absolutamente nada de duplicação no trecho entre Conselheiro Lafaiete e Belo Horizonte, principalmente visto que este é o trecho mais usado por lafaietenses. De cara lançam 10 praças de pedágio só em Minas e começam a duplicação por Goiás, que é onde fica a menor parte da rodovia.

Gente morrendo toda hora, todos os dias na BR 040 e eles continuam sem se preocupar com vidas. Até quando vão nos tratar como idiotas?

Tô sabendo e vou falar!
Aaron Fênix

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