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14 de maio: e agora?

24 de maio de 2026
in Gerais
14 de maio: e agora?
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Desde que eu estava na escola, aconteceram mudanças muito importantes na percepção sobre o fim da escravidão no Brasil. Quando eu era pequena, havia a ideia francamente ensinada de que a Princesa Isabel seria a maior responsável por libertar escravizados no território nacional.

Convenhamos: uma visão ultrapassada e fruto de controle ditatorial sobre o conteúdo escolar e de um contexto histórico longo que precisava criar seus heróis. Meu período escolar na década de 80 até os anos 90 abarca justamente o momento de rearranjo do país em virtude da redemocratização, o que inclui a revisão do currículo defasado, cheio de incorreções e visões viciadas sobre nossa própria história.

Com essa renovação, vieram à tona pesquisas sérias, históricas, que reformaram o tema, inclusive, com a ressignificação do papel da Princesa Isabel.

Obviamente, se considerarmos o sentimento das pessoas da época expresso pelo jornalista negro José do Patrocínio, é de que Isabel foi, realmente, “redentora” (alcunha dada a ela por ele). Até mesmo em religiões afro-indígenas brasileiras isso é observado nos cantos sagrados que se referem ao 13 de maio como o dia da libertação.

Mas análise histórica tem menos a ver com sentimento e mais a ver com fatos, documentos e dados extraídos deles. Por isso, hoje sabe-se: o fim da escravidão foi a união de vários movimentos internos e externos que tiveram como culminância a Lei Áurea, que não surgiu do nada, foi uma construção falha, fruto de uma sociedade que se livrava da escravidão sem se livrar do racismo fruto podre dela que ainda comemos diariamente enquanto povo.

Joaquim Nabuco é exemplo de uma elite branca que agiu? Claro! Isso também é história.

O que não se pode esquecer é da luta dos próprios negros por si mesmos. Houve a atuação firme de uma elite intelectual e religiosa negra, como Luiz Gama, advogado e grande ator nos processos para a libertação de pessoas – hoje patrono da abolição.

As irmandades negras religiosas também foram importantíssimas na construção de eventos para coleta de fundos que eram usados na compra de cartas de alforria e no financiamento de movimentos de fuga para quilombos. Falando neles, é impossível esquecer sua importância, pois, funcionavam como verdadeiros refúgios ocultos para aqueles que tivessem oportunidade de fuga – coisa que, infelizmente, pelo uso extremado e cruel da força, nem sempre era possível.

Outra coisa que se falava quando eu ainda estava na escola é que o negro era trazido da África porque ele aceitava melhor a escravidão do que o indígena. Uma crença racista e incorreta: primeiramente, porque ter poucas oportunidades de fuga; ser arrastado para outro país; separado de sua família; ajuntado com etnias inimigas das suas; enquanto se era submetido ao tratamento mais vil possível não significa que você ficou na senzala porque aceitou. Significa que você não teve escolha. E ainda, indígenas foram, sim, submetidos à servidão.

E ainda assim, houve quem conseguisse fugir e levar outros consigo formando importantes agrupamentos sociais como o Quilombo dos Palmares. Falando em Quilombo: temos aqui em Lafaiete o de “Mato Dentro” – uma de nossas joias, composto por verdadeiros herdeiros dessa gente que lutou pela própria existência e que jamais desistiu ou se submeteu. São caladinhos e discretos, sim, porque isso também é estratégia para quem quer sobreviver enquanto os seus são caçados a laço: a discrição.

Falando em estratégias, impossível esquecer do “banzo” – uma das maiores provas da insubmissão porque trata-se de um estado mental de depressão (conforme entendemos hoje), justamente, em virtude da mistura de impotência com não aceitação.

Já é tempo de, em mais um 13 de maio reconhecermos as lutas daqueles que foram apagados por tantos anos – e ainda mais. Reconhecer que os efeitos de quase 400 anos de escravidão não passam com o vento: permanecem.

Por isso, é nosso dever histórico e social combatê-los com políticas públicas eficientes para finalmente dar fim a um 14 de maio que já dura 138 anos.

Prof.Erica

Nota

Imagem gerada por IA.

Sugestões de leitura

Série Escravidão do jornalista Laurentino Gomes.

 

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