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Familiares contestam versão de assassinato de caminhoneiro

terça-feira, 29 outubro 2013 / 18:05

caminhoneiro
Familiares do caminhoneiro Roberto Magalhães, assassinado por volta da meia-noite de quinta-feira (25/10) à altura do km 627,5 da BR-040, na região da Barreira, em Conselheiro Lafaiete, procuraram a redação do Fato Real dispostos a rebater a versão inicial apresentada sobre a morte da vítima.

Os parentes vieram de Senador Firmino, cidade onde Roberto morava, com o propósito de resgatar publicamente a trajetória profissional e pessoal do caminhoneiro. Falando em nome da família, o primo, Jairo Magalhães, descreveu Roberto como um competente profissional do volante que prestava serviços e era respeitado em toda a região da cidade onde vivia, bem casado e pai dedicado de duas meninas: uma de 14 e outra de 10 anos de idade.

Para os familiares Roberto Magalhães (foto) era um profissional, esposo e pai exemplar

Para os familiares Roberto Magalhães (foto) era um profissional, esposo e pai exemplar

Por força da profissão, Roberto percorria o Brasil inteiro com seu caminhão, mas a rota mais frequente que cumpria era restrita ao trecho entre Senador Firmino, Ubá, Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Segundo Jairo, a região de Conselheiro Lafaiete não fazia parte do roteiro de trabalho de Roberto, que veio ao encontro da fatalidade de que foi vítima ao aceitar um frete de Brás Pires para Belo Horizonte. A ideia era descarregar a mercadoria na capital mineira e, em seguida, pegar nova carga na cidade de Sete Lagoas para levar até o estado de Rondônia: “Havia 60 dias que ele estava parado esperando frete e ficou muito satisfeito com esta viagem que pegou. Ele apanhou o carregamento de carvão na minha propriedade e nós jantamos juntos por volta de sete da noite”, recordou Jairo.

Fato Real: Ele deu sinal de que algo estivesse errado ou de que faria uma parada em Lafaiete antes de seguir viagem?

Jairo Magalhães: Ele seguiria viagem até Belo Horizonte e dormiria lá depois de entregar a carga. Dormiria na casa de uns primos que tem em Belo Horizonte e, no dia seguinte, iria para Sete Lagoas.

F R: Por que a família não acredita na versão apresentada para a morte de Roberto?

Jairo: Não acreditamos de forma alguma, porque o Roberto nunca demonstrou nada disso que foi falado. Ele era um cara tímido, caladão, que saía para viajar só pensando na família e em voltar para casa sem problemas. Aliás, a rota Lafaiete/BH nem era a dele, que só a cumpria esporadicamente, como agora.

F R: Portanto, na opinião dos senhores, a versão de que ele passava constantemente por aqui e era frequentador da área onde foi encontrado morto não é verdadeira?

Jairo: Ele passava por aqui, no máximo, a cada 60 ou 90 dias; não era toda semana. Os parentes de Belo Horizonte até reclamavam por ele não ir à casa deles… Porque ele não viajava pra lá.

F R: O senhor foi um dos primeiros a chegar ao local do crime. Com que cena se deparou e qual foi sua impressão sobre o que poderia ter acontecido ali?

Jairo: Quando a esposa dele me ligou nos assustamos muito e até achamos que fosse um trote. Saímos de Brás Pires e quando chegamos a Lafaiete por volta de cinco e meia da manhã, já tinham retirado o caminhão do local do crime e o corpo estava no Instituto Médico-Legal. Acho que, antes de ser morto, ele foi comprar água no posto e, quando voltou, aconteceu provavelmente um assalto.

F R: Como a família recebeu a versão de que Roberto poderia ter parado ali para fazer programa com um travesti? Como a notícia repercutiu junto à família do caminhoneiro e à população de Senador Firmino, uma cidade pequena onde todos se conhecem?

Jairo: Todo mundo ficou assustado, abismado. Ninguém acreditou nesta história. Os parentes estão muito contrariados e ninguém consegue mais dormir.

Em nome da família, Jairo Magalhães disse esperar que a verdade dos fatos venha à tona para que a dor causada pela perda do caminhoneiro Roberto Magalhães seja amenizada, ao menos em parte, pelo consolo decorrente da elucidação das reais condições em que ele foi morto.

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